Alerta para o Fígado: Estudo Indica que Refrigerantes Zero Oferecem Risco Maior que os Tradicionais
Pesquisa com mais de 120 mil pessoas aponta que Refrigerantes Zero elevam em 60% o risco de desenvolver MASLD (gordura no fígado). Água é a única substituição segura.
Uma nova pesquisa apresentou um dado preocupante para a saúde pública: tanto as bebidas adoçadas com açúcar quanto as versões com baixo teor de açúcar ou sem açúcar, popularmente conhecidas como refrigerantes zero ou diet, estão associadas a um risco significativamente maior de desenvolver a Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD).
O estudo foi apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia, em Berlim, e desafia a percepção de que as opções diet seriam inofensivas. Os resultados indicam que o consumo de refrigerantes zero pode ser ainda mais perigoso para o fígado do que as versões tradicionais.
Risco Elevado em Consumo Moderado
A pesquisa acompanhou 123.788 participantes do UK Biobank por um período médio de 10,3 anos. Os resultados foram claros e alarmantes para os adeptos de bebidas dietéticas:
- Risco dos Refrigerantes Zero: Consumir mais de 250 g por dia de bebidas com baixo ou nenhum açúcar (LNSSB) aumentou em 60% o risco de desenvolver MASLD.
- Risco dos Refrigerantes Açucarados: As bebidas açucaradas tradicionais (SSB) elevaram esse risco em 50%.
Durante o período de acompanhamento, 1.178 participantes desenvolveram MASLD (antiga DHGNA – Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica), uma condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado que pode evoluir para inflamação e é hoje a doença hepática crônica mais comum no mundo, afetando mais de 30% da população global.
A autora principal, Lihe Liu, destacou a gravidade da descoberta: “As bebidas adoçadas com baixo teor de açúcar foram associadas a um risco maior de MASLD, mesmo em níveis moderados, como uma única lata por dia. Essas descobertas destacam a necessidade de reconsiderar o papel dessas bebidas na dieta e na saúde do fígado.”
Por que os Refrigerantes Zero Podem ser Prejudiciais?
Os pesquisadores sugeriram possíveis mecanismos que justificam por que as versões diet e zero, que não contêm calorias do açúcar, ainda assim prejudicam o fígado:
- Refrigerantes Açucarados: O açúcar provoca picos rápidos de glicose e insulina, favorecendo o ganho de peso e o aumento do ácido úrico, fatores diretamente ligados ao acúmulo de gordura no fígado.
- Refrigerantes Zero/Diet: Os adoçantes artificiais podem interferir na microbiota intestinal, alterar a sensação de saciedade e até estimular a secreção de insulina de forma desregulada, contribuindo indiretamente para a sobrecarga hepática e o acúmulo de gordura.
A Água é a Única Opção Segura
Os resultados da pesquisa reforçam que limitar o consumo de qualquer bebida gaseificada deve ser prioridade na prevenção de doenças hepáticas e condições cardiometabólicas.
Um ponto chave da pesquisa foi a análise da substituição:
- Substituir qualquer bebida (açucarada ou diet) por água reduziu significativamente o risco de doença hepática. A redução chegou a 15,2% quando a troca foi feita no lugar de bebidas com baixo teor de açúcar.
- Por outro lado, trocar refrigerantes zero por versões açucaradas (ou o contrário) não trouxe nenhuma redução de risco.
“A água continua sendo a melhor opção, pois alivia a sobrecarga metabólica e previne o acúmulo de gordura no fígado”, concluiu Liu.
FONTE: G1







