Diversão ou Cilada? O impacto das apostas online e do “jogo do tigrinho” nos idosos
Idosos gastam 30 vezes mais que jovens no jogo do tigrinho e apostas online. Entenda os riscos à renda e à saúde mental segundo o portal GaúchaZH.

O crescimento desenfreado das “bets” e do jogo do tigrinho (caça-níqueis online) está comprometendo severamente a renda da população idosa. Conforme reportagem do portal GaúchaZH, cerca de 2 milhões de pessoas acima de 60 anos apostam valores que superam a média das aposentadorias nacionais (R$ 1.863,38 na área urbana). Para sustentar o hábito, muitos recorrem a reservas de uma vida inteira ou ao crédito consignado, transformando o lazer em um grave problema de saúde pública e proteção social.
Especialistas apontam que a jornada digital é muito mais agressiva que a loteria tradicional. No celular, o idoso encontra estímulos visuais e sonoros constantes, bônus e “missões” que geram uma sensação de imediatismo. Em agosto de 2025, o Banco Central registrou a movimentação de R$ 21 bilhões via Pix para empresas de jogos, um número que pode ser ainda maior se considerados outros meios de pagamento. O Brasil já é o quinto maior mercado de apostas do mundo, e os idosos são o grupo com maior desembolso médio.
O que acontece no cérebro durante a aposta?
A ciência explica por que o jogo do tigrinho e as apostas esportivas são tão viciantes, especialmente para o público sênior. O ato de apostar libera dopamina, o neurotransmissor do prazer. No entanto, o processo neurobiológico é complexo:
- Antecipação da Recompensa: A dopamina sobe não apenas no ganho, mas na expectativa e no “quase acerto”. Isso mantém o idoso excitado mesmo perdendo dinheiro.
- Redução dos Freios Naturais: Com o envelhecimento, há uma diminuição natural do controle inibitório do córtex pré-frontal. Isso torna mais difícil avaliar riscos e consequências a longo prazo.
- Ciclo de Recompensa: Após o pico de euforia, ocorre uma queda abrupta de dopamina, levando a pessoa a jogar novamente para tentar recuperar o que perdeu ou aliviar a frustração.
Impactos Financeiros e Jurídicos
O endividamento por conta do jogo do tigrinho tem levado muitos aposentados a comprometerem até o limite máximo de 45% do seu benefício com empréstimos consignados. Segundo advogados ouvidos pela GaúchaZH, dívidas diretas com plataformas não autorizam descontos no benefício do INSS, mas o uso indireto do crédito para cobrir perdas é o que causa o colapso financeiro.
Em casos de vulnerabilidade ou assédio ao consumo, a Lei do Superendividamento pode ser aplicada para rever contratos. Famílias que percebem o descontrole podem buscar medidas como a tomada de decisão apoiada ou, em casos extremos, a curatela parcial restrita à gestão financeira, visando proteger o patrimônio do idoso.
Como agir e buscar ajuda
Para interromper o ciclo de perdas com o jogo do tigrinho e outras apostas, os especialistas recomendam:
- Interrupção Imediata: Parar de apostar é o primeiro passo fundamental.
- Apoio Especializado: Buscar psicólogos focados em transtornos aditivos (ludopatia).
- Autoexclusão: Utilizar ferramentas das plataformas legais (domínio “.bet.br”) para bloquear o próprio acesso.
- Rede de Apoio: Envolver a família e bloquear a contratação de novos empréstimos.
Para entender mais sobre as regras de apostas e como identificar plataformas autorizadas, consulte o portal do Ministério da Fazenda, responsável pela Secretaria de Prêmios e Apostas.
Aproveite e confira também o calendário de pagamentos do INSS para 2026 para planejar suas finanças com segurança.
Conclusão
O jogo do tigrinho e as apostas online devem ser encarados como entretenimento, jamais como fonte de renda. Para o público 60+, os riscos são potencializados pela solidão e por alterações neurobiológicas, exigindo atenção redobrada das famílias e do Estado. Como destacado pela GaúchaZH, quando o jogo passa a causar sofrimento e impacto financeiro, é hora de parar. A preservação da dignidade e do patrimônio construído ao longo de décadas deve ser sempre a prioridade máxima.





